sábado, 11 de junho de 2011

A SEGUNDA MILHA



  Mateus 5:38-41

38 – Ouvistes o que foi dito:  Olho por olho e dente por dente.
39 – Eu,  porém, vos digo que não resistais ao mal;  mas, se qualquer te bater na face direita,  oferece-lhe também a outra;
40 – E ao que quiser pleitear contigo e tirar-te a vestimenta,  larga-lhe também a capa;
41 – E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
42 – Dá a quem te pedir e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
43 – Ouvistes  que foi dito:  Amarás o teu próximo e aborrecerás teu inimigo.
44 – Eu, porém, vos digo:  Amai a vossos inimigos,  bendizei os que vos maldizem,  fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.


Introdução:

"Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas." (Mateus 5:41)
Queridos, a milha romana media em torno de mil passos (cerca de 1478 metros).

A proposta de nosso Senhor Jesus Cristo está baseada em um costume dos povos do Oriente, que quando enviavam um emissário de um lugar para o outro, se requeria que um representante local viesse recebe-lo a determinada distancia.

Aparentemente, era um gesto de cortesia e amabilidade, próprio de um anfitrião. O fato é que não significava mera companhia; a cortesia incluia o carregamento de bagagens, o que tornava muitas vezes, uma tarefa muito árdua.

A primeira milha era costume e a obrigação. Era algo protocolar, de antemão estabelecido pela própria tradição. Mesmo contrariado aquele que fosse escalado para a missão, não poderia fugir de cumpri-la.

É interessante observar o verbo OBRIGAR no texto bíblico em pauta - dá a idéia clara no original, de algo compulsório.

Tendo isto em mente, nos vem a mente, a seguinte pergunta: A SEGUNDA MILHA proposta por Jesus, seria alternativa? ...
Devemos cumprir a primeira milha, mas, quanto a segunda milha?...estamos nós dispostos a caminhar com nosso próximo a SEGUNDA MILHA ?...

e desconhece um relacionamento interpessoal proveitoso, onde há ausencia de perdão.
Tudo porque o perdão sara feridas
1. A SEGUNDA MILHA DO AMOR FRATERNAL

1.1. Devo amar o próximo porque é mandamento

“Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros.” I João 4:11 Com esse princípio, sempre  ficaremos devendo ao nosso próximo a maior de todas as dívidas, a dívida do amor. “A ninguém devais coisa alguma, exceto  o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei.” Romanos 13:8

1.2. Devo amar o próximo para permanecer na Luz

 Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há tropeço. Mas aquele que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai; porque as trevas lhe cegaram os olhos.” I João 1:10,11

1.3 Devo amar o próximo como a mim mesmo

 “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Mas não useis da liberdade para dar ocasião à carne, antes pelo amor servi-vos uns aos outros. Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” Gálatas 5:13,14

1.4 Devo amar o próximo com um coração sincero

 (Isto é, sem máscaras, sem hipocrisia). “Já que tendes purificado as vossas almas na obediência à verdade, que leva ao amor fraternal não fingido, de coração amai-vos ardentemente uns aos outros,” I Pedro 1:22 “…na pureza, na ciência, na longanimidade, na bondade, no Espírito Santo, no amor não fingido…” II Coríntios 6:6 Tendo antes de tudo ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados;” I Pedro 4:8


2. A SEGUNDA MILHA DO PERDÃO

2.1  Quando perdoamos abrimos a porta da prisão para conceder liberdade ao prisioneiro.
O maravilhoso do perdão é que ele age como uma chave que abre a porta da vida e da liberdade para quem está aprisionado pelo ressentimento e amargura.    Perdoar é abrir a porta da prisão, e depois se dar conta que o prisioneiro era voce.   Pois, quem libera o perdão é o primeiro a desfrutar da plena liberdade que há em Cristo. 

2.2  Quando perdoamos somos alvos do perdão de Deus, caso contrário,  somos alvo do seu juízo.
Enganam-se aqueles que pensam que o fato de não se disporem a perdoar, não os impedirá de entrarem no Céu.   Mas, a respeito, Jesus é categórico:   “Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas,  também vosso Pai celestial vos perdoará a vós.   Se porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.”  (Mt 6:14,15).    Jesus ilustra-nos com clareza na parábola do credor incompassivo, que o juízo será severo com todos aqueles que não exerceram misericórdia e perdão nesta vida (Mt 18:23-35)
“E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia.    Assim vos fará também meu Pai celestial,   se do coração não perdoardes,  cada um a seu irmão, as suas ofensas.”  (Mt 18:34,35)

2.3Quando perdoamos manifestamos Cristo.
Quando é que o cristão torna-se mais parecido com Jesus?  Seria quando prega, ou quando ensina, ou quando canta louvores, ou quando oferta ou dizima ?     Certamente esta pergunta é respondida, quando ele perdoa seus ofensores.
Do alto da Cruz do Calvário, ferido e abandonado, odiado e vilipendiado, maltratado e ofendido.   Assim estava Jesus na dura cena de dor.   Mas, mesmo cercado por seus algozes cruéis,  tirou do profundo seu ser a mais linda proclamação: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” (Lc 23:34)
Imitando seu Senhor e Salvador,  o diácono Estevão no momento de seu martírio por amor ao Evangelho, exclamou diante da furiosa turba: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” (At 7:60).   É surpreendente como quem ministra o perdão fica parecido com Jesus.  Com Estevão foi assim;  Lucas registra que seu rosto foi visto por todos, como rosto de um anjo:  “Então,  todos os que estavam assentados no conselho,  fixando os olhos nele,  viram o seu rosto como rosto de um anjo.”  (At 6:15).  O rancor e a soberba transformaram um anjo em demonio.  No entanto, o perdão transforma homens em anjos.

2.4  Perdoar é ir além.    Sim, ir além do natural,  porque perdoar é sobrenatural (Lc 23:34).  É ir além do humano,  porque perdoar é divino (Is 55:7).  É caminhar a segunda milha.
John Nieder e Thomas Thompson em seu livro  Forgive and Love again (Perdoe e ame outra vez), diz as seguintes verdades lindas sobre o perdão:   Perdoar é virar a chave, abrir a porta da prisão e deixar o prisioneiro ir embora.
Perdoar é escrever em letras garrafais numa nota promissória: Quitado!
Perdoar é bater o martelo no tribunal e declarar: Inocente!
Perdoar é juntar todo o lixo e toda imundície, e se livrar deles, deixando a casa limpa e perfumada.



3.                 A SEGUNDA MILHA DA HUMILDADE

3.1  A segunda milha da Humildade é a senda da tolerancia e da paciencia. Somente os de coração humilde na estrada da vida, conseguem pela Graça do Senhor, administrar diferenças no relacionamento interpessoal.
Fomos chamados para suportar..E, Paulo escreveu: "O amor tudo suporta..." (1 Co 13:7).  E aos Colossenses, ele aconselha: Suportando-vos uns aos outros...  Como bem dizia um dos ícones do Movimento Pentecostal no Brasil,  pastor José Pimentel de Carvalho, ao comentar certa feita este versículo, com seu peculiar senso de humor disse:   Irmãos leiam bem o texto!  Não diz sepultando-vos uns aos outros!...

3.2  A segunda milha da Humildade é a milha da consideração do outro.      Pela graça de Cristo podemos considerar os outros superiores a nós:  Nada façais por contenda ou por vanglória,  mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. (Fp 2:3)

3.3    A segunda milha da Humildade é a rica oportunidade de aprendermos com o outro.     
Humildade vem de humus (solo fértil), e isto é sumamente significativo quando refletimos sobre o verdadeiro sentido do ser humilde.   De fato, o soberbo, por achar que tudo sabe,  jamais está aberto para o aprendizado da vida, é como como terra estéril e seca, onde semente alguma germina ou frutifica.  
Mas, o humilde está sempre pronto para ser ensinado, pois é solo fértil. Sempre disponível para frutificar.

3.4     A segunda milha da Humildade é a espaço que tenho para abençoar e ser abençoado
A Bíblia é clara quando fala das bençãos da humildade:
-  Honra (Pv 15:33)
-  Riquezas, honra e vida – (Pv  22:4)
-  A benevolencia de Deus – (Lc 1:48) (Sl 138:6)
-  Promoção feita por Deus – (Sl 147:6) (1 Pe 5:6)
-  Sabedoria – (Pv 11:2)
-  Revelações de Deus -  (Mt 11:25)
-  A Graça de Deus – (1 Pe 5:5)


Conclusão:
Estamos dispostos a obedecer a Cristo, praticando sua Palavra? (Mt 5:38-44).  Por maior que seja a renúncia de nossa própria vontade,  por maior que seja o sacrificar de nossa carne – Maiores são as bençãos do Senhor sobre nós;  se estivermos dispostos a caminhar um pouco mais,  a segunda milha.

O Sermão do Monte, é todo ele um peremptório convite a excedermos,  irmos além do usual, do trivial.
Em Mateus 5:20,  Ele nos exorta:  Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, demodo nenhum entrareis no Reino dos Céus.
Querido(a) aluno(a),  que nosso relacionamento interpessoal seja abençoador e que estejamos sempre dispostos a sermos longanimos, flexiveis e tolerantes.    Que jamais falte em nossos corações,  o amor,  a maior das virtudes.   O perdão, a fonte da vida.  E a humildade,  o solo fértil para uma grande frutificação no Reino.

Pastor Marcos Antonio

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