sexta-feira, 16 de setembro de 2011

NOSSA OFERTA DEVE TER A MARCA DA GENEROSIDADE

A oferta que Deus aceita é rica em generosidade

“Alguns há que espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; 
e outros que reteem mais do que é justo, mas é para sua perda.
A  alma generosa engordará, e o que regar também será regado.”  (Pv 11:24,25)

A palavra generosidade vem do Latim “generare”, que significa gerar, produzir, frutificar.     O generoso é aquele que está sempre a gerar boas obras e a produzir frutos bons.   Por sua vez, o avarento, nada gera, pois possui uma alma estéril.  Não possue,  frutos de generosidade; porque a raiz do seu coração está sem vida e a seiva do amor secou.
Vamos agora ao Novo Testamento para observarmos algumas
ricas verdades sobre esta palavra chave de nossa oferta – a generosidade.  Creio que os queridos irmãos macedonios, que ensinaram, não somente a Igreja em Corinto, mas, todas as igrejas daqueles dias;  nos ensinam ainda hoje, lições de como sermos generosos no Serviço do Rei:
“Também vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedonia;
Como em muita prova de tribulação houve abundancia do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade.
Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico), e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente,
Pedindo-nos com muitos rogos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos.
E não somente fizeram como nós esperávamos,  mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.” (2 Co 8:1-5)

Os irmãos macedonios nos mostram qual é o perfil do crente generoso

1.    O crente generoso é movido pela Graça
O apóstolo Paulo explica que a razão dos macedonios serem tão generosos, era porque eram crentes cheios da Graça de Deus.  Tudo porque, o edifício da generosidade só pode ser construído sobre a alicerce da Graça.   A Graça é que nos torna generosos, é isto que ocorreu com os queridos macedonios.
É notável como neste texto bíblico, aparece seguidas vezes a palavra “graça”:

Primeiro:
  Os crentes macedonios nos ensinam que ofertar é vivenciar a Graça de Deus em nossa vida “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedonia” (2 Co 8:1).  Vemos aqui que contribuir é uma graça.   Para muitos crentes avarentos e materialistas, contribuir é matirio;   mas contribuir para o crente generoso é privilégio, é benção, é graça.

Segundo:  
Os crentes macedonios nos ensinam que a graça de ofertar deve ser prioritária na nossa vida:
“Pedindo-nos com muitos rogos a graça, e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos.”  (2 Co 8:4)
         Que lindo!  Chegaram a rogar a Paulo que também queriam ofertar aos crentes necessitados na Judéia que passavam naqueles dias, muitas privações.
Na maioria das vezes, nós pastores, temos que rogar, e muitos de nós, chegamos às raias da súplica veemente; para que os membros de nossas igrejas, ofertem e dizimem.   Ouvi, até de uma atitude absurda de um pastor que queria reduzir o dízimo de seus crentes para 5%;   tendo em vista o número crescente de crentes avarentos em seu redil.
Mas, no caso dos macedonios;  nem Paulo, nem Tito, nem outro líder lhe pede para que contribuam;  mas, a graça de Deus era tal no coração deles, que sem nenhuma coação, mas movidos pelo Espírito de Deus,  rogam a Paulo:  “Não nos deixem fora desta graça,  queremos também ofertar!

Terceiro: 
Os crentes macedonios ensinam aos crentes de Corinto, que ofertar é uma graça para ser imitada
“De maneira que exortamos a Tito que, assim como antes tinha começado,  assim também acabasse esta graça entre vós. (2 Co 8:6)
Primeiro Paulo fala da graça de ofertar dos irmãos macedonios, e em seguida menciona que esta mesma graça, esta também presente na Igreja em Corinto.
A graça tem caráter pedagógico, a Graça ensina.  Permitamos ser mentorados pela Graça e nunca pela avareza, cujo deus é Mamon.
E que tomemos por exemplo, crentes liberas e generosos; e que nunca venhamos a nos espelhar naqueles que fecham a mão para a Obra do Senhor, porque são escravos do dinheiro.   Imitemos os irmãos macedonios, e que nunca nos falte a mesma graça em nossa vida cristã.

Quarto:
Paulo nos ensina que da mesma forma que devemos crescer espiritualmente, devemos crescer de igual modo na graça de ofertar
“Portanto, assim como em tudo abundais em fé, e em palavra, e em ciencia, e em toda diligencia, e na vossa caridade para conosco,  assim também abundeis nesta graça.” (2 Co 8:7)
Espiritualidade sem liberalidade é falsidade.   O crescimento de nossa vida cristã deve ser equilibrado. O que Paulo está desejando aos irmãos de Corinto, é exatamente isto:  Que sejam transbordantes na fé, na palavra, no conhecimento, etc.  Mas, que de igual forma, transbordem em liberalidade pela graça de ofertar.

Quinto:
Em seguida Paulo destaca o maior exemplo na graça de dar,  Nosso Senhor Jesus Cristo
“Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesús Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre;   para que pela sua pobreza enriquecesseis.” (2 Co 8:9)
O saudoso mestre nas Escrituras, o missionário Donald Stamps, ao comentar este texto bíblico, disse que: “Dar de modo sacrificial, fez parte essencial da natureza e do caráter de Jesus Cristo aqui no mundo.  Porque Ele se fez pobre;  nós, agora,  participamos das suas riquezas eternas.    Deus quer  uma atitude idêntica na Igreja , como evidencia da sua Graça operando em nossas vidas.”
Somente entenderemos a profundidade da graça de ofertar, quando assimilarmos o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus.

2.  O crente generoso é verdadeiramente rico
“Como em muita prova de tribulação houve abundancia do seu gozo, e como a sua profunda pobreza, abundou em riquezas da sua generosidade.” (2 Co 8:2)
Os crentes da Judéia estavam vivendo momentos de muita privação material.  Tal fato, fez com que as igrejas se mobilizassem em um grande mutirão de generosidade para ajudá-los naquela hora tão difícil.
O que é surpreendente, é o ingreso nesta lista de igrejas solidárias:  as igrejas da Macedonia.   Porque os crentes macedonios eram tão pobres, quanto aos crentes da Judéia;  mas, mesmo sendo muito pobres, se apresentaram como os mais ricos, porque eram ricos em generosidade.   Notemos o quanto eram financeiramente pobres, a ponto de Paulo dizer: “a sua profunda pobreza” (2 Co 8:2).   Mas, esta condição de extrema pobreza não os impediu de serem ofertantes em potencial, porque eles transbordavam em riquezas de generosidade.

3.  O crente generoso excede sempre no ato de dar
“Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico), e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente.” (2 Co 8:3)
Exceder no ato de dar, vai além do exceder em valores monetários.  Um crente que ganha um pequeno salário pode exceder em muito áqueles que não ofertam motivados pelo amor e pela Graça de Cristo, que diga a viúva pobre que por ser generosa, excedeu a todos aqueles ricos no ato de dar: 
“E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam um quadrante (um centavo).
E, chamando os seus discípulos, disse-lhes:  Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro;
Porque todos ali deitaram do que lhes sobejava,  mas esta, da sua pobreza,  deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.”      (Mc 12:41-44)

4.  O crente generoso é voluntário
“...deram voluntariamente.”  (2 Co 8:3)
Os crentes macedonios não contribuiram por obrigação e nem por coação.   Mas, se dispuseram a ofertar com alegria, e isto fizeram espontaneamente.
Quando da edificação do Tabernáculo, o coração dos israelitas se dispuseram a contribuir:  “E veio todo homem, a quem o seu coração moveu, e todo aquele cujo espírito voluntariamente o impeliu,  e trouxeram a oferta alçada ao Senhor para a obra da tenda da congregação, e para todo o seu serviço, e para as vestes santas.”  (Ex 35:21)
A memorável pergunta do rei Daví ainda soa em nossos ouvidos hoje:  “...Quem, pois, está disposto a encher a sua mão, para oferecer hoje voluntariamente ao Senhor ?” (1 Cr 29:5)

5.  O crente generoso antes de dar sua oferta, se dá primeiro ao Senhor
“E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus.”   (2 Co 8:5)
Para Deus, o ofertante sempre precede a sua oferta.  Que valor terá uma oferta cujo ofertante não se deu primeiro ao Senhor?  Por certo valor algum.
Quando entregamos nossas ofertas e dízimos, que tudo isto seja sempre precedido por nossa entrega total a Deus.
Que nossa contribuição seja o bendito éco de nossa rendição a Cristo.  Que ao trazermos o que temos, possamos sempre dizer:
- Damos a Ti, porque pertencemos a Ti !
Antes de dizer, traga-me a tua oferta, Ele está dizendo:  “Dá-me,  filho meu, o teu coração...” (Pv 23:26)

6.  O crente generoso é alvo das bençãos de Deus

Falando das bençãos sobre o crente generoso no Reino, o apóstolo Paulo reitera: 
 “E, digo isto:   Que o que semeia pouco, pouco também ceifará;  e o que semeia em abundancia, em abundancia também ceifará.
Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade;   porque Deus ama ao que dá com alegria.
E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, afim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiencia, abundeis em toda a boa obra.
Conforme está escrito:  Espalhou,  deu aos pobres;  a sua justiça permanece para sempre.
Ora,  Aquele que dá a semente ao que semeia, e pão para comer,  também multiplicará a vossa sementeira, e aumentará os frutos da vossa justiça.
Para em tudo enriqueçais para a toda beneficencia, a qual faz que por nós  se deem graças a Deus.” (2 Co 9:6-11)



O meu querido amigo do coração, pastor Valdir Medeiros contou-me um lindo e comovente testemunho, a respeito de como Deus galardoa o coração generoso:
Há muitos anos atrás, um pastor foi convidado para ministrar em uma cidade distante.  Mesmo com pouquissimos recursos, reuniu o dinheiro para pagar  a passagem de trem.  Chegou a tempo, e com muita graça pregou a Palavra. Vidas foram salvas e libertas, e Deus renovou sua Igreja.
Pretendia voltar para sua cidade, logo pela manhã; pois, o trem saía às seis horas da manhã.   Esperava que o líder da igreja que o convidara, lhe desse uma oferta para cobrir as despesas da viagem e também lhe desse hospedagem  naquela noite fria, o que não ocorreu.
Após o término do culto, todos foram embora, cada um para sua casa; e o desprezado arauto ficou em frente ao templo, surpreso pelo descaso e falta de amor fraternal do pastor daquela igreja.  No entanto, não reclamou, não murmurou,  não abriu sua boca.   Pensou consigo:  Deus sabe o que faz... O jeito é dormir no banco da estação, e por lá esperar o trem de amanhã.      Quando se dirige à estação, encontra numa esquina alguns irmãos da igreja que parados conversavam.  Então teve uma idéia de perguntar para eles onde ficava um hotel por ali.  Tinha a esperança, que se tocassem, e lhe convidassem para hospedá-lo na casa de um deles, pois dinheiro para hotel não possuía.  Mas, para sua tristeza, eles responderam:
- Pastor, o senhor desce esta rua;  logo a frente tem um hotel.
Ele agradece aos irmãos e segue seu caminho para a estação de trem.   Quando, de repente um irmão vem correndo atrás e lhe pergunta:
- Pastor, ninguém lhe hospedou? Isto não se faz com um profeta do Senhor... Pastor, onde o senhor está indo?
- Estou indo dormir na estação, porque o trem sai  às seis horas da manhã – responde o pastor.
Imediatamente, o irmão oferece com todo amor sua casa:
- Pastor, sou o mais pobre da igreja. Minha casa tem só um cômodo, é muito simples.  Pastor, venha comigo, o senhor não vai passar a noite no frio.  Minha pequena casa é sua pastor!
Ao chegarem, a esposa deste generoso irmão faz um café, todos se alimentam e se alegram na comunhão no Senhor.
O pastor louva a Deus pela vida daquela família, que seguindo o exemplo dos crentes macedonios, que da profunda pobreza abundaram em riquezas da sua generosidade (2 Co 8:2)
Pela manhã, novamente, após mais um abençoado café, aquele querido irmão e sua familia se despedem do pastor.  Ele ora por todos e segue sua viagem de regresso.
Muitos anos depois, este mesmo pastor é convidado para pregar em uma outra cidade.  Após a ministração, um irmão muito bem vestido vem ao seu encontro, lhe cumprimenta e lhe pergunta:
- O senhor se lembra de mim?   Eu sou aquele irmão que naquela noite,lhe hospedei em meu casebre...  Pastor, Deus me prosperou; hoje tenho várias fazendas e sou um empresário bem sucedido para a glória de Deus.
O pastor abraça emocionado o irmão, e lhe pergunta:
- Querido irmão, louvo a Deus porque Deus tem lhe prosperado!   Mas, nestes anos, fiquei com uma pergunta, deste quando estive em sua casa naquela noite:  Eu notei, que a sua casa tinha apenas um comodo. E, que o irmão e sua esposa me cederam a cama de voces para que eu pudesse dormir;  notei também, que seus filhos dormiam no outro canto da casa.  Lembro-me que o irmão e sua esposa, saíram,  não os vi dentro da casa;  onde os irmãos foram? Onde voces dormiram?  Voces foram para casa de algum vizinho ou parente? Onde voces passaram a noite?
O irmão com o rosto banhado em lágrimas respondeu:
- Pastor, grande foi a honra de recebe-lo  em nossa casa,  apesar de tão humilde e tão pobre.    Mas, naquela noite, saí com minha esposa, e nos assentamos em um pequeno banco do lado de fora, e ali passamos a noite falando das coisas de Deus, até que o dia nascesse e o amado pastor pudesse descansar.
O que fizemos, fizemos com alegria e amor!
Imaginai o Pentecóste deste maravilhoso reencontro entre o profeta e este crente generoso.
Após o abraço recheado de lágrimas e línguas estranhas, o pastor acrescentou:
- As bençãos derramadas hoje na sua vida meu irmão, é  o resultado de seu amor e de sua generosidade.

“Alguns há que espalham, e ainda se lhes acrescenta mais; 
e outros que reteem mais do que é justo, mas é para sua perda.
A  alma generosa engordará, e o que regar também será regado.”  (Pv 11:24,25)

Pastor Marcos Antonio

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